Além da trágica perda de vidas no estúpido "buraco do metrô", tivemos e continuamos a ter a estúpida e idiota perda de imagem e de reputação técnica e administrativa das empresas do Consórcio Via Amarela e do próprio Metrô. A insensibilidade e a estultície com que se comportaram desde os primeiros momentos é algo espantoso para quem imaginava que se trata de empresas sérias, bem geridas e conscientes das suas responsabilidades sociais. Ao invés de enviarem imediatamente para o local as melhores equipes de assistentes sociais que tivessem, acompanhadas de pelo menos uma ou duas pessoas da alta direção, com a missão de oferecerem a mais prestimosa, imediata e eficaz ajuda aos familiares das vítimas, com todas as garantias possiveis, dadas as circunstâncias, de que continuariam a ser assistidos materialmente, clínicamente e psicológicamente nos dias seguintes, quedaram-se perplexas e a indagar internamente, em pura perda de tempo. sobre quais seriam as causas do terrível acidente (que evidenmente não poderiam saber, nem adivinhar naquele momento) e de como apresentar para o público uma explicação para o que ocorreu - como se isso fosse o mais importante no momento - para, afinal, sairem com aquele bestialógico de que "a chuva foi a culpada".
Se por acaso ruísse a barragem da hidrelétrica de Itaipú, seria o caso de se dizer que "o rio foi o culpado"?.
Os energúmenos que dirigem essas empresas vivem boquejando frases de efeito, tiradas de livretos de MBAs improvisados, em entrevistas à imprensa econômica e em reuniões de diretoria e enchem o saco dos jornalistas com ricos relatórios em papel couché sobre as "realizações sociais" da Companhia, mas são absolutamente incapazes de agir com simplicidade, solildariedade e eficácia numa situação de crise como essa, como agiria qualquer dona de casa com uma familia de vizinhos afetados por um drama. Engalfinham-se em bate-bocas internos sobre o que fazer, como e quando - nos quais a vaidade e o prestígio de cada um fica mais em jogo do que a reputação da empresa - e o resultado é o que vimos. Aliás, é o que vemos quase sempre, sejam empreiteiras ou companhias de aviação. O cúmulo da estupidez é que todas essas empresas dispõem de assessorias de imprensa e de relações públicas, internas e externas, que lhes custam os olhos da cara, para, justamente, não apenas orientá-las numa emergência, mas treiná-las permanentemente sobre como se comportar nas crises e para advertí-las à respeito do risco social que criam em suas atividades normais e sobre como prevení-los.
Mas, não adianta nada. Na hora do vamu-vê, como se diz, é só burrada acompanhada de coices muitas vezes irrecuperáveis na própria imagem...
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