A absolvição do Cel. Ubiratan Guimarães, pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, por 20 votos a 2, da acusação pela morte dos 111 presos do Carandiru, ocorrida em 1992, é um assunto que vai correr mundo e, certamente, reforçar a imagem negativa sobre o Brasil - que as entidades de Direitos Humanos se encarregam a todo momento de promover - de que somos uma nação de bárbaros. Isso é inevitável.
É inevitável, também, que muitas análises e opiniões contraditórias surgirão na imprensa nacional sobre o assunto. E, finalmente, é inevitável ainda que essa decisão da Justiça seja condenada por grande parte da opinião pública, bem como, a própria Justiça seja mais uma vez inquinada de injusta parcialidade.
Então, eu quero dizer aqui três coisas: 1)o coronel foi, sim, o responsável direto pela tragédia, uma vez que enviou uma tropa armada e despreparada para lidar com a rebelião, quando poderia ter enviado uma tropa sem armas de fogo e, portanto, deveria ser condenado; 2) o TJ anulou a sentença anterior por entender que o júri estava confuso ao responder aos quesitos formulados, pois não poderia responder sim ao primeiro (que o coronel agira no estrito cumprimento do dever) e sim ao segundo (que houvera excesso na ação). Uma resposta anulava a outra. Não houve, da parte do TJ, nenhum cambalacho para absolver o coronel - 20 desembargadores decidiram a favor dele e apenas 2 contra; 3) Há um fato indiscutível, que é a chamada cadeia de responsabilidade. O Estado brasileiro é responsável pela custódia dos cidadãos que estejam encarcerados em cumprimento de sentenças judiciais e por sua incolumidade física. Isso significa que os superiores do coronel foram e são igualmente responsáveis, uma vez que autorizaram a ação e nem foram processados.Lula não é famoso pelo uso elegante e sofisticado do vernáculo,certo?
Seus adversários políticos diriam que se alguma fama lhe advem, é por motivo diametralmente oposto...
Mas, uma coisa é certa: ele sabe usar manhosamente as palavras que aprendeu na espinhosa trajetória do analfabetismo à iluminação. Dizer, por exemplo, que "governarei até o fim do meu mandato" como resposta para aqueles que insistem em perguntar se ele é ou não candidato à reeleição é uma maneira de parecer que responde enfaticamente e diretamente...sem responder! Sim, porque governará de qualquer forma até o fim do primeiro mandato, uma vez que pode ser candidato a reeleição sem deixar o cargo de presidente. E dizer que só tomará a decisão "aos 45 minutos do segundo tempo" é apenas a maneira informal de dizer que só a tomará no dia 30 de junho, uma vez que até lá não precisa dar entrada no registro da candidatura. Enquanto isso, continua em plena campanha eleitoral, dando entrevistas e fazendo discursos todos os dias, em evidente desrespeito à legislação eleitoral...sem ser admoestado pela oposição, pela imprensa e pela Justiça Eleitoral.
Conforme apontava ontem uma reportagem de Ricardo Brandt, no Estadão, Waldomiro Diniz - o pivô inicial, o estopim, de todo o escândalo que abalou a moral do PT como partido, do governo Lula, de vários políticos petistas ilustres e de políticos de diversos outros partidos; que resultou, até agora,
"Apesar da convicção que existe de que ele teria participado de todos os esquemas, o problema é que há uma dificuldade de produzir provas. É mais uma condenação política do que jurídica", admite o relator da CPI dos Bingos, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN).
Mas, desculpe a nossa ingenuidade, senador: a prova provada já não estava na fita que o Brasil inteiro, primeiro assistiu, e depois viu e ouviu confirmada e corroborada pela própria confissão do moço? O que é preciso mais para que haja um processo regular seguido da devida condenação jurídica, judicial, além da política?
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